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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O inventor da urna de lona


Os jauenses sempre estiveram engajados na política. Seja mandando seus homens para lutar na Segunda Guerra, na Revolução de 32 ou no campo da política. Sempre houve quem acreditasse que poderia fazer muito, embora tivesse nascido em uma cidade pequena.

Abílio Cesarino era filho de um italiano e uma brasileira. Embora tenha nascido em Sapre, na Itália, no dia 22 de maio de 1914 e veio com menos de um ano para o Brasil. Sua família fixou resistência em Jaú, cidade em que viveria por toda sua vida.

Em 1955, ele trabalhava para uma fábrica de malas quando Getúlio Vargas lançou um concurso. Como era comum a fraude eleitoral, afinal os papéis com os votos eram jogados dentro de uma caixa e ficavam a vista de todos que votaram e podiam ser facilmente adulterados ou até mesmo descartados.
O Governo Federal precisava de algo que tornasse a votação mais segura. Assim, foi aberto um concurso para que fosse criada uma urna mais prática e segura para se depositar as cédulas de votação.

Abílio patenteou uma urna com tampa móvel de madeira que era fechada por um cadeado. Após travada, a urna poderia ser condensada em uma pasta. Porém, ele não conseguiu se inscrever a tempo na competição que teve mais de dez mil protótipos inscritos. A campeã foi uma urna com zíper em uma das laterais.

Abílio não se deu por vencido e provou ao Secretário do Tribunal, Ibsen Costa Manso, que o modelo vencedor poderia ser violado com facilidade e o convenceu que sua invenção era a melhor opção para ser adotada.
Por causa da falta de proteção da urna campeã, uma nova concorrência foi aberta e desta vez Abílio a ganhou. Ele produziu mais de cinco mil urnas e as ofereceu gratuitamente ao governo, com duas condições: que 70 delas fossem mandadas para Jaú e que a cidade fosse a primeira cidade a usá-las em uma votação. O pedido foi aceito e Juscelino Kubitschek foi eleito presidente com mais de três milhões de votos.

Sua empresa, a Miac, chegou a fabricar 100 mil urnas eleitorais para o Brasil até 1976, quando ele deixaria a empresa, na qual começou como funcionário e chegou a ser um dos acionistas.

Em 1998 foi criada a urna eletrônica, a substituta do invento de Abílio. Ele poderia ter ficado triste, mas foi contemplado como o primeiro a votar nela.

Sua neta, Raquel Cesarino, diz que o avô se sentiu muito orgulho ao ser convidado a votar com a urna eletrônica. “Ele era um amante da tecnologia. Sempre foi alguém a frente de seu tempo e se sentiu realizado ao ser convidado para estrear a urna”.

Todas as zonas eleitorais da cidade receberam as novas urnas logo em 1998, diferente até mesmo de cidades maiores que tiveram elas trocadas aos poucos.

Abílio estava lá, logo que sua zona eleitoral foi aberta na Escola Estadual Dr. Tolentino Miraglia e depositou seu voto. Aliás, voto secreto segundo a neta. “Ele dizia que democracia era votar em quem você acreditaria que faria o melhor e não ter que dizer quem era essa pessoa”, recorda.

Ele se tornaria presidente honorário da Fundação Amaral Carvalho e foi nesse cargo que veio a falecer em 30 de dezembro de 2002, de causas naturais.

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