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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Uma voz poderosa em Jaú


A cantora lírica mais famosa de Jaú fez com que a população conhecesse o poder e o tom de sua voz há centenas de metros de distância. No entanto, também ficou marcada na memória por sua expressão sempre suave e delicada, dentro e fora dos palcos.

A mais nova filha entre 13 irmãos nascida 22 de abril de 1920, Elza era filha dos italianos Pedro Munerato e Veneranda Cavalline Munerato. Desde a infância sempre demonstrou vontade em fazer música, seja cantando ou tocando piano. E assim que as aulas começaram, não parou mais.
Então foi apenas uma questão de tempo para começar a fazer os shows e mostrar seu talento com a música lírica.

A aposentada Francisca de Camargo conta que era jovem quando ouvia Elza cantar em casas de shows pela cidade. “A voz dela era a coisa mais linda. Ela também era um amor de pessoa, sempre muito simpática e cordial, mas a sua voz... Fico sem palavras, não tem como explicar como era ouvir ela cantando” conta. E completa, “fico arrepiada só de lembrar como era linda a sua voz”.

No entanto, sua voz era também utilizada em outro lugar. Na rádio Jauense, durante a década de 50, Elza tinha um programa infantil chamado “Tia Elza”, onde contava histórias, recebia crianças no auditório da rádio, ensinava os pequenos a cantar, além de colocar músicas e até mesmo soltar o “gogó” às vezes.

O deslumbramento de Francisca começou quando sua mãe a levava junto para ver os shows de Elza, e depois continuou com a sua passagem pela rádio. Mas, depois do primeiro espetáculo, não parou mais de ir. “Ia sempre, sempre mesmo. Até mesmo quando me casei, fiz meu marido voltar antes da lua de mel porque eu precisava ver a sua procissão encenando a Verônica andando pelas ruas da cidade”, comenta a aposentada.

O teatro era outra arte que Elza adorava. Ficava encantada quando via peças, mas nunca achou que conseguiria interpretar alguém. No entanto, na década de 50, a artista foi convencida pelos pais e irmãos que deveria tentar.

Ela entrou para um grupo de teatro amador do Grêmio Paulista Jauense, chamado “Sempre Sorrindo”, onde estudou a arte por pelo menos 20 anos antes de sair às ruas. Mas, quando saiu para encarar o público atuando, não pode deixar de lado a sua voz.

Cantando e atuando, Elza levou centenas de pessoas em procissões nas sextas-feiras da Paixão, com traje e véu preto em luto por Jesus Cristo. Ela interpretava Verônica. Seu canto lírico delicado, mas imponente era ouvido por todos os acompanhantes, que se aquietavam para não perder um segundo.

Elza cantou e encantou Jaú e inúmeras cidades da região. No entanto, em meados de 1986 recebeu a notícia de que estava com câncer. Como a doença já estava em estágio avançado, os médicos do hospital “Dr. Amaral Carvalho” a internaram mesmo sabendo que ela não teria escapatória. Pouco tempo depois, mais exatamente em 10 de novembro de 1986, Elza veio a óbito aos 66 anos. Como não era casada e não tinha filhos deixou sua fortuna para seus irmãos ainda vivos.

Um ano depois, o então prefeito Celso Pacheco homenageou a artista nomeando o teatro municipal em 1987 com o nome de Elza Munerato. Um nome que marcou a arte do século XX em Jaú.

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