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sábado, 3 de dezembro de 2011

As 200 patentes de um jauense


Imagine a situação como era incomoda: você tinha que ligar a água do chuveiro e depois a tomada que a esquentaria. Os chuveiros eram assim, só funcionavam após ligar manualmente a força na tomada. E, um detalhe, ele só poderia ser ligada após a água correr, se não, corria-se o risco de queimar todo o aparelho. Mas alguém ainda iria melhorar a situação. E ele se chama Francisco.

Francisco Canhos era conhecido como Chico pelos amigos. Ele nasceu na cidade de Jaú em 19 de Outubro de 1914 e teria nos próximos anos mais oito irmãos.

Logo na infância, seu interesse por equipamentos elétricos despertou. Na adolescência ele faria um curso de eletricidade por correspondência. Entre seus primeiros inventos estavam presépios articulados que se popularizaram em toda a região.

Em 1927 ele criou seu primeiro chuveiro. Nessa época, ele trabalhava na padaria de sua família. Como não dispunha de outra forma, vendia seus chuveiros de porta em porta. Todos eram fabricados de forma artesanal, e o futuro empresário não se preocupou em patentear a invenção.

Somente em 1943 ele fundaria sua fábrica no mesmo bairro da padaria de seu pai, no Jardim Santo Antônio. Em homenagem à sua família, parte do bairro foi renomeada para Vila Canhos anos depois.

Com a fábrica, veio a necessidade de patentear seu invento, mas em 1953, depois que seu procurador deixou de pagar pelas licenças, a Lozenzzeti, fabricante italiana, a patenteou. Assim, sete anos depois, a patente do jauense passou de ser de posse integral da fabricante italiana, que lançou vários modelos e aperfeiçoou a invenção de Chico.

Segundo sua filha, Maria do Carmo Canhos Navarro, o chuveiro não foi à única grande invenção de seu pai. “Ele inventou muitas coisas ao longo de sua vida, mas nunca se preocupou em patenteá-las. Ele só patenteou os chuveiros para poder fabricá-los em grande escala”, comenta uma de suas descendentes.

Porém, mesmo desligado do ramo, ele chegou a registrar 200 patentes em seu nome, tais como torradeiras, ventiladores e cafeteiras. “Nem todas eram funcionais, muitas precisavam de aperfeiçoamento. Em muitos casos ele acabava parando de pagar a patente um tempo depois”.

Assim, a Eletrometalúrgica Jauense cresceu do quarto da casa de Chico para uma das maiores fábricas da cidade. Ela atuou na cidade até 1997; depois seu bisneto Nelson Francisco, filho de Maria do Carmo, a levaria para sua cidade em São José do Rio Preto.

Segundo Maria do Carmo, seu pai morreu em 27 de Maio de 1988, de causas naturais. “Ele morreu tranquilo, e deixou seu legado para seus filhos. Me alegra saber que meu filho Nelson continuou com aquilo que meu pai criou”, revela emocionada a filha de um dos maiores inventores jauenses.

2 comentários:

Unknown disse...

Obrigado pela notícia, sempre fui curioso em saber mais sobre a Eletrometalúrgica Jauense, desde pequeno eu gosto de materiais elétricos, principalmente chuveiros e era apaixonado pelo Chuveiro Robot, após convencer meu pai a me dar um, li na aba da caixa a frase "Fizemos o primeiro, fazemos o melhor", então despertou em mim a curiosidade de saber como foi inventado o chuveiro automático, não fazia idéia de que não só o automático como o primeiro chuveiro propriamente dito foi criado pelo Sr. Francisco já na década de 20!
Hoje até mesmo a Lorenzetti sofre com a reprodução não autorizada dos seus aparelhos por inúmeras fábricas chinesas, então a propriedade intelectual já não está mais ao alcance de ninguém, mas certamente a marca na história deixada pelo seu Francisco está indelével, presente nas casas de milhões de pessoas, mesmo incógnita, tem o seu dedo nela!

Vivi Vendramini disse...

Olá

Muito obrigada por comentar, contar sua história e mostrar sua indignação com o caso. É mesmo triste. E, o pior de tudo, é saber que a patente deveria ter continuado com a família, mas o advogado esqueceu de pagar e então a Lorenzetti comprou.

Lamentável... =/

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